Cientistas estão mais perto de descobrir as causas do cancro

A revista científica Nature, publicou um estudo no âmbito do “Pan-Cancer Analysis of Whole Genomes”, um projeto que juntou mais de 1.300 cientistas e especialistas clínicos de 37 países para analisarem “causas de cancros anteriormente inexplicados”.

Em declarações à Lusa, Nuno Fonseca, investigador do CIBIO-InBIO que esteve incluído na investigação, explicou que o projeto analisou mais de 2.600 genomas de 38 tipos de tumores “dispersos em vários projetos”.

Com o objetivo de “compreender melhor as causas e consequências das alterações genéticas nos genomas”, mas também nas regiões “não codificantes [ADN lixo]”, o estudo permitiu “ampliar e aperfeiçoar os métodos de análise”.

“O cancro é um problema complexo. Foram encontrados mais de 80 padrões de alterações no ADN que causam a doença, desde uma única base de DNA a grandes reorganizações de cromossomas. Além disso, foi identificada uma mutação causal em 95% dos casos analisados, o que significa que estamos mais perto de catalogar todas as vias biológicas envolvidas no cancro”, explicou.

Paralelamente, o estudo mostrou que o sequenciamento do genoma do cancro, quando combinado com um conjunto de ferramentas de análise, permite “caracterizar cada alteração genética encontrada num cancro e todos os processos que originaram essas mutações e, até mesmo, a ordem dos principais acontecimentos durante o seu ciclo de vida”.

À Lusa, Nuno Fonseca adiantou que os resultados obtidos no âmbito deste projeto vão “facilitar e acelerar novas descobertas relacionadas com a deteção e tratamento de cancro”.

“Além dos dados disponibilizados, os novos programas computacionais e infraestruturas desenvolvidas para processar e analisar os dados genómicos, incluindo ferramentas para explorar os dados produzidos, deverão ser muito úteis nos próximos anos, em particular, à medida que novas amostras são recolhidas e sequenciadas em todo o mundo”, disse.

O investigador acrescentou que “este trabalho deverá beneficiar os pacientes a médio e longo prazo, sendo que é necessário mais trabalho para transformar o que foi aprendido em soluções com impacto imediato para os pacientes”.

noticia adaptada e imagem do site lifestylesapo

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